Quem sou eu

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ELA TEIMOU E ENFRENTOU O MUNDO SE RODOPIANDO AO SOM DOS BANDOLINS... ELA SE JULGAVA AMADA AO SOM DOS BANDOLINS...

11.5.11


Let's Fly away
Somewhere over the rainbow
Onde não existam prós, contras e porquês
Onde não exista explicação
Somente Eu e Você.

10.5.11

"A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo?" Caio F Abreu

8.5.11

Sentei na cadeira e ouvi o primeiro sinal. Estou no meu papel atual de espectadora.
Segundo sinal tocou e eu estava ainda distante, intoxicada com o doce cheiro do Teatro.
Veio o terceiro sinal e as cortinas se abriram. Estava próxima daquilo que chamo de lar, porém não fazia parte dele.
Durante 1 hora e meia celebrei junto com aquela equipe a parceria de se fazer arte.
"Arte não se faz sozinho" - eu sempre digo.
Desempenhei minha função de platéia com o mesmo esforço que costumei desempenhar minha função de atriz.
Sou um peão do Teatro, mesmo que por forças que ainda não consegui decifrar, aceitando a condição de estar do lado de fora da cortina...mas tomei uma rasteira...
Acabou a peça e vieram os aplausos.
Chorei.

1.5.11

Era como se eu não conseguisse mais respirar. Engoli aquela pedra sem nem colocar um salzinho, achei mais vantajoso engolir a seco.
Enquanto meu silêncio se transformava num abismo, uma mariposa gigante sobrevoava enlouquecida ao meu redor como se quisesse falar por mim.
A mariposa posou no meu ombro. Senti medo no início, depois compaixão. Nos tornamos um só. E ela também silenciou-se.

Olhei o copo na mesa. Cheio. Whisky puro. Bebi num gole só. O despertador tocou.

Olhei o copo na mesa. Cheio. Bebi sem saber o que era. O despertador tocou.

Olhei o copo na mesa. Não bebi. O despertador tocou.

Olhei o copo na mesa. Bebi e cuspi. O despertador tocou.

Não olhei, mas o copo estava lá. O despertador tocou.

Olhei a mesa. Não havia nada. O despertador tocou.

Olhei. Haviam vários copos, alguns cheios, outros não. Admirei, mas não bebi. O despertador tocou.

Olhei os vários copos na mesa. Bebi todos, até não restar mais nada. O despertador tocou.

Olhei os vários copos na mesa. Bebi aquele que me mandaram beber. O despertador tocou.

Olhei os vários copos na mesa. Bebi o único que me interessava. O despertador tocou.

Quem toca é o despertador ou sou eu que o toco?

19.4.11

Às vezes me sinto assim

10.4.11


Ela ficou por horas olhando o mar enquanto o reflexo da lua misturado com a maré de seus sentimentos ilustrava o que ainda estava por vir.
Até que o silêncio foi quebrado, e num sussuro mais respirado do que falado, as palavras foram sentidas ao ouvido:

Coloquei meus olhos sobre seu vestido de cigana enquanto você dança e lança seu corpo ao dia tal como um pássaro que abre suas asas pra voar, e então eu sinto o inferno se abrir sobre os meus pés.
Apesar de seus grandes olhos que enfeitiçam, e principalmente por causa deles, foi o Diabo que se encarnou de ti, colocou em meu ser esse desejo carnal, para me tragar do presente e em meio à tempestade me banhar de passado, enxaguando minhas lembranças, e afogar-me num futuro, inodoro como a água?

Ela continuava olhando fixamente para o mar.
Viver o presente é como uma força imutável ir de encontro à algo que não pode ser movido. É impossível. Mesmo que não pense no futuro, ele será construído pelas escolhas que toma agora. Suas palavras foram inventadas para mim, mas é a impaciência do mar que me instiga.

Então o que antes era sussurro começa a ser elevado: Laisse-moi rien qu'une fois Glisser mes doigts dans les cheveux de vous! Deixe-me tocar mais uma vez em seus cabelos.

Esse foi o único momento em que os olhos se encontraram, e o que pareceu ser uma eternidade no segundo que antecede o beijo, foi surpreendido pela ausência desse mesmo beijo, e no lugar, vieram suas últimas palavras.

Parece que quer me fazer carregar a cruz do gênero humano. Não sou nada disso, fui uma donzela a te esperar, e hoje sou areia que faz parte do mar.

Silêncio.

Ela deitou-se na areia, misturando-se a ela. Riu, riu até sua barriga começar a doer, gargalhou, e chorou.